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Carta aberta a uma desconhecida do mesmo sangue
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Hoje escrevo-te com dó nas palavras e insignificância
na alma. Gostava de poder dizer que és minha irmã, mas as irmãs estão
presentes. As irmãs demonstram carinho e afeto. As irmãs são irmãs de sangue e
união. Tudo aquilo que tu nunca quiseste ser. Mas deixemos-nos de lamentações
porque para isso já basta o facto de termos de partilhar o mesmo sangue.
Voltando ao assunto inicial, hoje escrevo-te, sim. Não porque sinto
que mereces as minhas palavras, mas por dever para com o meu pai, o nosso pai.
Conheces esse senhor? Um homem leal, solidário com o próximo e por vezes com
alguns não tão próximos, protetor e carinhoso. Um verdadeiro pai, amigo,
companheiro e confidente. Se Deus existisse diria com toda a certeza que Deus
reside no corpo do meu pai. Vou passar a dizer “meu” porque acho que perdeste
esse direito há muito tempo atrás. Bem, este senhor, o meu senhor, é um homem
que tu renegaste. Viraste as costas á pessoa que, por muito que lhe mostrasses
indiferença, estava ao teu lado para quando mais precisasses. Porque ele é
assim. É impressionante como não degeneraste de todo as qualidades do meu pai. É
também interessante aperceber-me de que sou meia dúzia de anos mais nova que tu,
mas sou tão mais velha que tu.
Sou capaz de dizer que és uma pessoa infeliz. Isto
porque não queres a presença de uma pessoa que nos ilumina a alma e pinta o
nosso sorriso com cores vívidas e gratificantes. Não percebo como não podes
desejar tê-lo na tua vida. Ainda hoje não percebo porquê. Porque te viraste
contra aquele que te deu a vida. Sim, porque ele também te deu vida, cuidou de
ti, amou-te e apesar de tudo ainda te ama. E eu sei que ele sofre, que vive
agoniado por não ter o amor de uma das suas filhas.
Lembrei-me de ti hoje, por mero acaso. Estava a
reviver passagens de vida nas fotografias antigas da família e, entre muitas
fotos tuas com o meu pai (ele guardou-as todas, aposto que nem uma foto dele
guardaste), encontrei uma em que estás ao lado da tia. Virei a fotografia e
encontrei escrito “My little baby and my sister. Summer 1991”. E foi aí que
percebi a agonia presente naquele coração de ouro que é o dele. Aí percebi porque
ele sente tanto orgulho na pessoa que sou com ele, nas confidências que
depositamos um ao outro. Na necessidade de sentir carinho pela filha. Até a
minha mãe tem ciúmes por sermos tão chegados. Queres saber porquê? Porque eu o
amo, mais do que aquilo que tenho e carrego na vida, porque eu não o abandono,
apoio o meu pai. Demonstro, desde que me lembro, todo o amor que tenho por esta
pessoa, que sem dúvida é o meu motivo de vida. É triste não saberes o que isto
é, não é? Indigna-me não quereres sentir o mesmo que eu, não te deixares
aproximar, nem largares todas essas “armas” contra ele, que sempre te deu mares
de rosas para que nunca reclamasses que ele era mau pai. Mesmo assim
reclamaste. E eu lamento, lamento mesmo. Porque mesmo que ele não me desse
nada, só a vida dele já é suficiente para acalmar a minha reclamação.
Espero que um dia, percebas o quão bom é ser filha
de um pai. Especialmente deste. Mas esse dia vai ser definitivamente tarde,
pois descartaste todas as oportunidades. Acabaste com as tentativas. Perdeste o
jogo. Tu e todas as pessoas ao teu redor, que influenciam esse teu desprezo. Aqui
têm o reverso da moeda. Porque a família é sagrada, e enquanto estiver unida
não vai ser abatida.
Sabias ainda, que dos fracos não reza a história?
Deve ser por isso que não me lembro de alguma vez te ter conhecido. És uma
desconhecida. Só lamento ter de partilhar o mesmo sangue contigo.
Sinceramente, a filha do melhor pai do mundo.
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"Os escorpiões conseguem perceber o que as pessoas sentem no seu íntimo, mesmo que nada seja dito. São pessoas sensíveis, inteligentes, fortes e determinadas, mas que escondem o jogo, por medo de perderem o controlo ou de serem decifradas. São vaidosas e têm uma postura forte e sedutora, sabendo arrancar os segredos alheios. A sua persistência e teimosia podem ultrapassar muitas barreiras, mas também podem fazê-las acreditar que podem controlar as pessoas. E essa história de que o Escorpião é um signo de gente infiel é a maior mentira já dita. Os escorpiões são profundamente honestos, sabem guardar segredos, são conscientes e valorizam as amizades, tendo a coragem de viver perigosamente, nos limites. São pessoas humanas, misteriosas e profundas. Ah, e só conseguem viver no oito ou no oitenta! Fogem do lado morno da vida."